Quem não gosta de um suco de frutas caprichado, não é mesmo?
Esses alimentos são capazes de nutrir, hidratar e refrescar ao mesmo tempo, por isso, são muito comuns na dieta infantil.
Apesar de serem ótimas opções para o dia a dia, os sucos precisam ser inseridos no cardápio dos bebês no momento certo.
E é aí que costumam surgir dúvidas de muitos papais e mamães e a primeira delas é “Bebê pode tomar suco?!”
Para alguns, os sucos são o “primeiro cartão de visitas” das frutas para o paladar dos pequenos.
Para outros, ele é um complemento que só passa a fazer parte da dieta após as frutas serem descobertas ao longo da introdução alimentar.
Mas você sabe mesmo com quantos meses o bebê pode tomar suco natural?
Conhece quais são os sucos e frutas mais indicados para seus filhos?
Neste artigo explicamos qual é o momento certo de introduzir a bebida na dieta dos bebês e outras informações importantes sobre a introdução de alimentos na rotina infantil.
Com quantos meses o bebê pode tomar suco natural?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde e o Guia Prático da Alimentação da Criança de 0 a 5 anos da Sociedade Brasileira de Pediatria, os sucos não são alimentos recomendados para crianças com menos de 1 ano de idade.
Mas você sabe o motivo dessa restrição?
Basicamente, os sucos devem ser evitados antes do primeiro ano de vida pois eles oferecem uma quantidade de açúcares (mesmo que naturais) acima do necessário.
Frutas, mesmo que sejam alimentos saudáveis, possuem carboidratos como a frutose, que precisam ser consumidos com cautela para evitar problemas nutricionais.
O ideal é que as crianças tenham o primeiro contato com as frutas in natura após completarem seis meses de idade, data em que o leite materno deixa de ser a única fonte de nutrição recomendada.
O primeiro contato com as frutas deve ser por meio de pedaços amassados ou raspados, mas nunca processados em forma de suco.
Isso ocorre por dois motivos:
- O processo de transformar frutas em sucos faz com que elas percam uma quantidade considerável de nutrientes, especialmente as fibras alimentares;
- Para fazer um copo de suco, muitas vezes é preciso utilizar mais frutas do que o necessário para a alimentação das crianças.
É por isso que pediatras ao redor do mundo sempre recomendam que as crianças consumam mais frutas do que tomem sucos.
Porém, quando começar a oferecer sucos de frutas para o seu bebê, saiba que a bebida deve ser 100% natural.
Ou seja, sem adição de açúcares e conservantes.
Para sucos industrializados, a restrição é ainda mais importante – nem os cogite!
Afinal, eles costumam carregar quantidades altas de carboidratos em suas fórmulas e podem elevar o peso do seu bebê de forma gradativa.
Os sucos naturais mais indicados para crianças a partir de 1 ano de idade

A SBP não proíbe nenhuma fruta e só faz contraindicação da carambola para crianças com problemas renais.
Sendo assim, você tem liberdade para testar diferentes sabores e identificar quais são mais aceitas pelo paladar do seu bebê.
Mas não se esqueça que diferentes alimentos possuem nutrientes distintos que precisam ser avaliados com atenção.
Por exemplo, a presença de cenoura no suco é uma ótima forma de reforçar o consumo de vitamina A.
A combinação entre beterraba e laranja é excelente para garantir boas doses de ferro e vitamina C.
Além desse detalhe, não se esqueça que algumas frutas conseguem auxiliar na regulação intestinal, como é o caso do mamão e da ameixa.
Já as frutas com muita água em sua composição – como melancia e melão – dão aquela força para manter o bebê hidratado.
O importante mesmo é se atentar às quantidades.
Como já abordamos aqui, suco em excesso gera um consumo de açúcar acima do necessário, portanto, siga as recomendações abaixo:
- Crianças entre 1 e 3 anos devem consumir apenas 100ml de suco ao dia;
- Entre 3 e 6 anos, a dose diária pode chegar a 150 ml;
- A partir dos 6 anos, a recomendação máxima é de 240 ml ao dia.
Introdução alimentar complementar correta para os bebês

Quando falamos em alimentação complementar, é sempre importante reforçar uma importante mensagem da comunidade médica:
As crianças devem ser amamentadas até os dois anos de idade, se possível.
Durante os 2 primeiros anos de uma criança, nada é mais nutritivo e essencial que o leite materno.
Porém, a partir dos seis meses, os bebês podem ter contato com outros alimentos, já que seu sistema digestivo já está pronto para receber outros sabores e texturas.
Os primeiros alimentos introduzidos na dieta devem ser as frutas, que precisam ser oferecidas amassadas em forma de papa, raspadas ou em pequenos pedaços.
O ideal é dar de colherzinha e escolher frutas que sejam fáceis de encontrar na sua região, estejam na época e tenham boas quantidades de fibras.
Não há frutas proibidas nessa etapa, a única que precisa ser oferecida com cautela é a carambola, especialmente se o bebê tem histórico de problemas renais.
Como você já viu, os sucos, mesmo os naturais, devem ser evitados até o bebê completar 12 meses.
Afinal, eles contêm muito açúcar e não têm as fibras das frutas inteiras, o que pode aumentar o risco de obesidade e problemas no fígado.
Há ainda correntes teóricas que são veementes contra a ingestão de sucos para as crianças. Ou seja, depende de abordagem de cada pediatra.
A primeira refeição salgada – contendo legumes, verduras e pequenas porções de proteína animal – também pode ser oferecida a partir dos seis meses, seja na janta ou no almoço.
De preferência a refeição salgada deve ser realizada no mesmo horário em que a família come.
Isso ajuda o bebê a se acostumar com a rotina alimentar da casa.
Cada bebê é único, por isso, o acompanhamento do pediatra é fundamental, especialmente se houver dificuldades na alimentação ou se a família seguir uma dieta vegetariana ou restritiva.
Confira outros pontos importantes da introdução alimentar:
Bebidas Vegetais
As bebidas vegetais, como leite de amêndoas ou castanhas, não devem substituir o leite materno, a menos que sejam fórmulas infantis específicas recomendadas pelo pediatra.
Alimentos industrializados
É importante evitar alimentos industrializados, como refrigerantes, café, chás, embutidos e qualquer produto rico em açúcar, sódio e gorduras.
Água de coco
A água de coco não deve ser usada como substituta da água, pois contém muito sódio e potássio.
Mel
O mel não deve ser oferecido no primeiro ano de vida.
Ele pode conter uma bactéria que causa botulismo, uma doença perigosa para os pequenos.
Para fechar, confira duas tabelas feitas pela SBP para ajudar na elaboração da rotina alimentar do seu bebê:
Sugestão de esquema alimentar diário para o bebê

Recomendações de textura e quantidade de acordo com a idade da criança

Veja também: Método de alimentação BLW para bebês
Dicas extras para garantir saúde e uma boa introdução alimentar para o bebê
Além de evitar o consumo de suco antes do primeiro ano de idade, existem outros pontos importantes para garantir uma alimentação saudável para seu pequeno.
O primeiro – e talvez um dos mais importante – é: nunca adicione açúcar ou adoçante aos sucos.
O excesso de açúcar pode fazer com que seu bebê rejeite alimentos que não sejam tão doces, o que pode dificultar muito o consumo de frutas in natura.
Todo mundo adora um docinho, e as crianças não fogem dessa lógica.
Se você adicionar açúcar no suco, elas irão se acostumar com o paladar muito adocicado e isso tende a gerar problemas para ampliar o cardápio, além de ser prejudicial para a saúde.
A dica número 2 é: suco não substitui refeição, ele é um acompanhamento.
Portanto, não dê a refeição como completa só porque seu filho consumiu as vitaminas presentes no suco.
Nossa nutrição deve ser balanceada!
E atenção: Mesmo depois de completar um ano de vida, a principal fonte de hidratação das crianças deve ser a água!
Frutas sempre são boas opções!
Por mais que sejam deliciosos, os sucos devem ser introduzidos com estratégia na alimentação dos bebês.
Isso é importante tanto para evitar problemas nutricionais, quanto para garantir que eles se familiarizem com as frutas antes de descobrir o sabor delas após passar pelo processamento.
Portanto, siga as recomendações nutricionais que a SBP determina e, claro, consulte o pediatra da sua família para receber orientações personalizadas para o seu pequeno.
A alimentação é fundamental para o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, portanto, é assunto sério e que gera impactos ao longo de toda a vida.
Busque sempre respeitar as recomendações médicas e fuja de conselhos e palpites dados por familiares ou pessoas que não possuem experiência com o assunto.