Não dá pra fugir! A imunização é a melhor forma de se proteger — e de proteger seus filhos — contra doenças imunopreveníveis.
No entanto, mesmo que a eficácia das vacinas seja cientificamente irrefutável, em alguns países, os índices de vacinação estão caindo a números alarmantes.
Em 2023, por exemplo, o Brasil registrou uma das piores coberturas vacinais da última década, com várias vacinas infantis abaixo da meta de 95% recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A baixa cobertura vacinal está causando surtos de sarampo, por exemplo:
Surtos da doença atingiram 103 países nos últimos cinco anos, de acordo com dados de 2024 da OMS e da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
Sabemos que os bebês não gostam, mas, se você quiser ver seu filho crescer saudável e protegido contra doenças facilmente evitáveis, as vacinas são suas melhores amigas.
Confira, abaixo, o calendário de vacinação dos bebês a partir de recomendações do Ministério da Saúde – desde o nascimento até os 4 anos de idade -, as doenças evitadas e possíveis reações de cada vacina.
Calendário de vacinação do bebê de 0 a 4 anos

Para melhor compreensão do calendário de vacinação, conheça alguns termos que podem aparecer ao longo do artigo:
Vacina combinada: vacinas que oferecem proteção para mais de uma doença com a aplicação de uma única injeção.
Vacina conjugada: produzida para combater diferentes tipos de doenças causadas por bactérias chamadas encapsuladas, que possuem capa protetora em torno da estrutura celular, o que garante maior resistência da bactéria contra o sistema de defesa imunológico humano.
Vacinação simultânea: aplicação de mais de uma injeção em diferentes locais no corpo.
Recém-nascido
- Vacina BCG – dose única
Doenças evitadas: formas graves da tuberculose (miliar e meníngea).
Efeitos adversos comuns da vacina:
Sabe aquela marquinha que todo mundo tem no braço direito?
É a cicatriz da BCG.
Imediatamente após a aplicação, forma-se uma bolinha dura, que vai amolecendo até criar uma crosta.
Essa crosta, quando cai, cria uma úlcera, que vai cicatrizando devagar, até deixar aquela marquinha característica da vacina.
O bebê pode ter febre, dor de cabeça e dores musculares.
Raramente, pode ocasionar reações alérgicas.
- Vacina Hepatite B — primeira dose
Doenças evitadas: hepatite B.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, irritabilidade, cansaço
Também pode causar perda de apetite, dor de cabeça, sonolência, sintomas gastrointestinais e febre.
Bebê de 2 meses
- Pentavalente: vacina adsorvida Difteria, Tétano, Pertussis, Hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae B (conjugada) – (Penta) — primeira dose
Doenças evitadas: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B.
Essa é uma das vacinas mais importantes para as crianças.
Ela previne doenças graves que ainda são importantes problemas de saúde pública.
Mesmo que haja vacinação gratuita disponível, ainda há taxas relevantes de morbimortalidade infantil ocasionada pela difteria, pelo tétano e pela coqueluche.
A difteria é uma infecção bacteriana grave que afeta principalmente as vias aéreas e, algumas vezes, a pele.
As vias aéreas incham, causando sérios problemas respiratórios e, por vezes, asfixia.
Além disso, a bactéria libera uma toxina que pode causar danos aos nervos e ao coração.
O tétano pode causar rigidez muscular, espasmos musculares e convulsões.
O organismo pode ser contaminado quando a bactéria entra em contato com cortes, arranhões ou lesões na pele.
Já a coqueluche, conhecida como tosse comprida, é altamente infecciosa e afeta as vias aéreas.
A tosse pode durar de um a dois meses, causando infecções no ouvido, nas vias aéreas, nos pulmões, convulsões e danos cerebrais.
As três doenças, em casos graves, podem ser fatais — o que corrobora a importância da vacinação na faixa etária indicada.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, sonolência, irritabilidade e dor local.
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) – (VIP) — primeira dose
Doenças evitadas: poliomielite.
A doença, que pode causar paralisia muscular em crianças, está erradicada no Brasil desde 1990.
No entanto, desde 2016, a cobertura vacinal está abaixo da meta de 95%, o que aumenta o risco de retorno da circulação do vírus, uma vez que a doença não foi erradicada em nível mundial.
Quem quiser entender um pouco do impacto da epidemia de poliomielite, pode ler o livro Nêmesis, de Phillip Roth, que conta a história de um professor dos Estados Unidos que vê boa parte dos alunos serem afetados pela doença.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor e vermelhidão no local da aplicação.
- Vacina pneumocócica 10-valente (Conjugada) – (Pneumo 10) — primeira dose
Doenças evitadas: infecções invasivas (como meningite e pneumonia) e otite média aguda, causadas pelos 10 sorotipos de Streptococus pneumoniae.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor e inchaço no local da aplicação.
- Vacina rotavírus humano G1P1 (atenuada) – (VRH) — primeira dose
Doenças evitadas: diarreia por rotavírus (gastroenterites).
O rotavírus é um dos principais agentes causadores de doenças diarreicas agudas.
Também é uma das mais importantes causas de diarreia grave em crianças menores de cinco anos no mundo, especialmente em países em desenvolvimento.
O rotavírus é transmitido pela via fecal-oral:
- Contato pessoa a pessoa;
- Ingestão de água e alimentos contaminados;
- Contato com objetos contaminados;
- Propagação aérea por aerossóis.
É uma doença bastante comum em crianças menores de cinco anos e, se não tratada, pode evoluir para casos graves, com possibilidade de morte.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Irritabilidade, diarreia leve e vômitos.
Bebê de 3 meses
- Vacina meningocócica C (conjugada) – (Meningo C) – primeira dose
Doenças evitadas: doença invasiva causada pela Neisseria meningitidis do sorogrupo C.
A meningite C é muito comum em crianças com menos de cinco anos.
É transmitida por via respiratória e é considerada uma doença grave, que pode ser fatal.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor no local e irritabilidade.
Bebê de 4 meses
- Pentavalente: vacina adsorvida Difteria, Tétano, pertussis, Hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae B (conjugada) – segunda dose
Doenças evitadas: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, sonolência, irritabilidade e dor local.
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) – (VIP) – segunda dose
Doença evitada: poliomielite.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor e vermelhidão no local da aplicação.
- Vacina pneumocócica 10 – valente (conjugada) – (Pneumo 10) – segunda dose
Doenças evitadas: infecções invasivas (como meningite e pneumonia) e otite média aguda, causadas pelos 10 sorotipos Streptococus pneumoniae
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor e inchaço no local da aplicação.
- Vacina rotavírus humano G1P1 [8] (atenuada) – (VRH) – segunda dose
Doença evitada: diarreia por rotavírus (gastroenterites).
Efeitos adversos comuns da vacina:
Irritabilidade, diarreia leve e vômitos.
Bebê de 5 meses
- Vacina meningocócica C (conjugada) – (Meningo C) — segunda dose
Doenças evitadas: doença invasiva causada pela Neisseria meningitidis do sorogrupo C.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor no local e irritabilidade
Bebê de 6 meses
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano, pertussis, Hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae B (conjugada) – (Penta) — terceira dose
Doenças evitadas: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae B.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, sonolência, irritabilidade e dor local.
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) – (VIP) – terceira dose
Doença evitada: poliomielite.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor e vermelhidão no local da aplicação.
- Vacina covid-19 — primeira dose
Doenças evitadas: formas graves e complicações pela covid-19.
A vacina contra a covid-19 é recomendada em duas doses (aos 6 e aos 7 meses de idade), respeitando o intervalo mínimo de quatro semanas entre a primeira e a segunda dose.
Se a criança não fizer ou não tiver completado o esquema vacinal até os 7 meses, a vacina poderá ser administrada até 4 anos, 11 meses e 29 dias, conforme histórico vacinal.
Para indivíduos imunocomprometidos, o esquema vacinal é de três doses (aos 6, 7 e 9 meses).
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor e vermelhidão no local da aplicação, cansaço e febre.
Bebê de 7 meses
- Vacina covid-19 – segunda dose
Doenças evitadas: formas graves e complicações pela covid-19.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor e vermelhidão no local da aplicação, cansaço e febre.
Bebê de 8 meses
Não há vacinas específicas indicadas para esse período.
No entanto, papais que não puderam fazer as vacinas dos meses anteriores podem aproveitar essa ‘brecha’ para atualizar alguma dose que tenha ficado para trás.
Bebê de 9 meses
- Vacina Febre Amarela (atenuada) – (FA) — primeira dose
Doenças evitadas: febre amarela.
A febre amarela causa uma febre aguda, de evolução abrupta e gravidade variável.
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20% a 50% das pessoas que desenvolvem febre amarela grave podem morrer.
A boa notícia é que a vacina é altamente imunogênica — ou seja, confere imunidade em 95% a 99% dos adultos vacinados, e em cerca de 90% das crianças pequenas imunizadas.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor muscular, dor de cabeça e reações locais leves.
Bebê de 10 meses
Não há vacinas específicas indicadas para esse período.
No entanto, papais que não puderam levar o bebê para tomar as vacinas dos meses anteriores também podem aproveitar essa ‘brecha’ para atualizar alguma dose que tenha ficado para trás.
Bebê de 11 meses
Não há vacinas específicas indicadas para esse período.
No entanto, papais que não puderam levar o bebê para tomar as vacinas dos meses anteriores também podem aproveitar essa ‘brecha’ para atualizar alguma dose que tenha ficado para trás.
Bebê de 12 meses
- Vacina pneumocócica 10-valente (Conjugada) – (Pneumo 10) — dose de reforço
Doenças evitadas: infecções invasivas (como meningite, pneumonia e otite média aguda), causadas pelos 10 sorotipos Streptococus pneumoniae.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor e inchaço no local da aplicação.
- Vacina meningocócica C (conjugada) – (Meningo C) — dose de reforço
Doenças evitadas: doença invasiva causada pela Neisseria meningitidis do sorogrupo C.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor no local e irritabilidade
- Vacina Sarampo, Caxumba, Rubéola (Tríplice viral) — primeira dose
Doenças evitadas: sarampo, caxumba e rubéola.
A caxumba, a rubéola e o sarampo são doenças altamente infecciosas, agudas, que podem causar graves complicações.
O sarampo se caracteriza por febre, tosse, coriza e erupções cutâneas.
Já a caxumba causa um inchaço doloroso das glândulas salivares, febre e dor de cabeça.
A rubéola costuma ser mais leve, provocando erupções cutâneas, febre baixa e inchaço das glândulas.
Das três, o sarampo é a mais grave — inclusive, já foi responsável pela morte de 2,6 milhões de pessoas anualmente antes da década de 1980.
Graças à imunização, a doença foi eliminada em todo o continente americano em 2016.
No entanto, a baixa taxa de vacinação fez com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) registrasse um aumento de 79% nos casos de sarampo em 2023 em todo o território mundial, em comparação com o ano anterior.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, erupções cutâneas e dor no local da aplicação.
Bebê de 15 meses
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano e pertussis (DTP) — primeira dose de reforço
Doenças evitadas: difteria, tétano e coqueluche.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, sonolência, irritabilidade e dor local.
- Vacina poliomielite 1, 2 e 3 (inativada) – (VIP) — reforço
Doenças evitadas: poliomielite.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor e vermelhidão no local da aplicação.
- Vacina adsorvida Hepatite A (HA – inativada) — dose única
Doenças evitadas: hepatite A.
A hepatite A é uma doença infecciosa aguda do fígado causada pelo vírus da hepatite A.
Geralmente, é transmitida pela ingestão de água ou de alimentos contaminados.
A maioria dos casos é assintomática ou apresenta sintomas leves, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir com gravidade.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor no local da aplicação, febre baixa e cansaço.
- Vacina Tetra viral – primeira dose
Doenças evitadas: sarampo, caxumba, rubéola e varicela
Além de reforçar a proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, a vacina tetra viral protege a criança contra a varicela, também conhecida como catapora.
A doença é bastante comum em crianças e se manifesta normalmente no final do inverno e no início da primavera.
Uma vez adquirido o vírus Varicela-Zoster, causador da varicela, a pessoa se torna imune à catapora.
No entanto, o vírus pode acabar sendo reativado, causando o herpes-zoster.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, erupções cutâneas, dor no local e irritabilidade.
Crianças de 4 anos
- Vacina adsorvida Difteria, Tétano e pertussis (DTP) — segunda dose de reforço
Doenças evitadas: difteria, tétano e coqueluche.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, sonolência, irritabilidade e dor local.
- Vacina Febre Amarela (atenuada) – dose de reforço
Doenças evitadas: febre amarela.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Febre, dor muscular, dor de cabeça e reações locais leves.
- Vacina varicela (monovalente) – (Varicela) — dose única
Doenças evitadas: varicela.
Efeitos adversos comuns da vacina:
Dor, inchaço e vermelhidão no local da aplicação, febre baixa, irritabilidade e mal-estar leve.
Calendário de vacinação na mão, imunização do bebê garantida!
A vacinação infantil é uma das formas mais eficazes, seguras e acessíveis de salvar vidas.
Segundo o Ministério da Saúde, as vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) evitam mais de 20 doenças potencialmente graves ou fatais — como sarampo, poliomielite, meningite, coqueluche e hepatites virais.
Frequentemente, orientamos os papais e as mamães a não darem ouvidos a pitacos sobre a criação de seus filhos.
No entanto, esse pitaco é muito valioso: não contribua com a queda da cobertura vacinal.
Deixar de vacinar seu filho coloca em risco todas as outras crianças — especialmente as mais vulneráveis, como as imunossuprimidas.
Vacinar, afinal, é um ato coletivo de proteção.