cama compartilhada

Cama compartilhada com o bebê: pode ou não pode? Veja a opinião de especialistas

Um dos principais questionamentos dos papais e mamães, especialmente de primeira viagem, diz respeito ao sono do bebê. 

Não há dúvidas de que os bebês precisam de muitas horas de sono. 

Há, porém, um assunto que, às vezes, é até um pouco polêmico: qual o melhor lugar para a criança dormir, especialmente nos primeiros meses de vida?

Principalmente pela praticidade, muitas famílias acabam optando por compartilhar a cama com o bebê.  

Esse hábito, porém, tem prós e contras.

Neste artigo, vamos apresentar alguns argumentos para que você faça sua própria escolha!

O que é a cama compartilhada com o bebê?

A prática é muito simples.

Em vez de a criança dormir em berço, divide a cama com os pais.

Em inglês, usa-se o termo breastsleeping, um trocadilho com breastfeeding, que significa amamentação. Breastsleeping significa, portanto, a amamentação aliada ao sono.

Se você é mãe ou pai, já deve saber: nos primeiros meses, os bebês praticamente comem e dormem (e sujam muitas fraldas nesse intervalo).

Então, acaba sendo mais prático e menos cansativo, principalmente para a mãe, manter a criança perto o tempo todo, especialmente à noite.

Não é um hábito recente, mas muitas mamães se sentem receosas quanto à prática.

Pelo menos nos três primeiros meses de vida, o bebê precisa ficar grudado nos pais. 

Esse vínculo não só é fundamental do ponto de vista da segurança do bebê – assim, os pais podem agir rapidamente, em caso de engasgo, por exemplo -, mas também para que a criança possa desenvolver suas conexões cerebrais.

É o cheiro, o calor e a movimentação dos pais ou responsáveis que tranquiliza um bebê quando ele se percebe sozinho.

Veja também: Como ajudar o bebê no estímulo dos 5 sentidos sensoriais?

5 vantagens e desvantagens da cama compartilhada

cama compartilhada vantagens e desvantagens

Vantagens 

1. Praticidade

Principalmente nos primeiros meses após o nascimento do bebê, a mãe fica bastante exaurida. 

Ela precisa se dedicar integralmente à criança e, mesmo à noite, não consegue dormir oito horas seguidas.

(Oito horas? Na realidade, às vezes, é difícil ter duas horas ininterruptas de sono).

Com a cama compartilhada, a mãe pode estar adormecida ou, pelo menos, cochilando, enquanto a criança mama. 

Ah, vale lembrar que a principal beneficiada dessa prática é a mãe, mas os pais também ficam mais próximos do bebê e podem auxiliá-la na vigilância constante. 

Você pode se interessar: 7 dicas para os pais ajudarem na amamentação

2. Conforto

Mais uma vez, o período pós-parto pode ser complicado para as mamães.

As que deram à luz por meio da cesárea, em especial, ficam doloridas por um tempo.

Se o bebê estiver ao lado dela na cama, a necessidade de se deslocar várias vezes para amamentá-lo durante a noite deixa de existir. 

3. Amamentação prolongada

Compartilhar a cama com o bebê acaba estimulando o aleitamento materno. 

Isso porque, quanto mais a mãe amamentar, maior é a produção de leite.

Se o bebê for alimentado exclusivamente com leite materno por pelo menos seis meses, o risco de infecções, obesidade infantil e de outras doenças no futuro é menor. 

Além disso, também cresce a capacidade cognitiva da criança, especialmente as habilidades verbais e sociais.

Desvantagens 

4. Dormir sozinho pode ser mais difícil

Se o bebê dormir com os pais todos os dias, vai acabar se acostumando com essa rotina (por mais novinho que seja).

E, no momento em que as crianças se acostumam a algo bom, é difícil perder o hábito, né?

Então, quando o pequeno já estiver com cerca de seis meses e for hora de começar a tirá-lo da cama, ele certamente vai estranhar. 

5. Pode ser arriscado

Houve casos em que bebês que compartilhavam a cama com os pais foram vítimas de sufocamento e estrangulamento acidental.

Isso porque os bebês não possuem os mesmos reflexos que os adultos e, caso se virem na cama, não conseguirão erguer a cabeça. 

Com os pais compreensivelmente exaustos e, às vezes, em sono profundo, pode ser mais difícil perceber que o bebê acabou se virando.

Há também o risco de morte súbita do lactente, embora existam estudos que mostrem que a chance de isso ocorrer depois dos seis meses é menor.

Em tempo: a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que os bebês durmam de barriga para cima, ao contrário da crença popular que diz que isso é perigoso devido ao risco de engasgar. 

Dormir de barriga para cima diminui as chances de morte súbita em até 70%, inclusive. 

ebook berçário portal

Cama compartilhada pode ou não pode?

berço cama compartilhada

As opiniões dos especialistas sobre compartilhar a cama com o bebê são variadas.

Boa parte das entidades de medicina pediátrica “torcem o nariz” para a cama compartilhada.

A Associação Americana de Pediatria, porém, acredita que a cama compartilhada facilita a amamentação e permite uma maior vigilância sobre o bebê.

Já a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que as crianças durmam, sim, no quarto dos pais, pelo menos até os seis meses de idade, mas em um berço.

Dica: também existe um tipo de berço que fica praticamente grudado à cama. 

É uma alternativa aos papais que têm medo de compartilhar a cama com o bebê, mas não querem abrir mão de mantê-lo pertinho durante a noite.

Em inglês, essa caminha é chamada de co-sleeper.

cama compartilhada recém nascido

A Associação Americana de Pediatria (AAP) recomenda que a cama seja compartilhada somente nos primeiros seis meses de idade.

Isso porque é nessa faixa etária que o bebê tem mais risco de sofrer morte súbita.

A morte súbita, condição rara, é quando o bebê saudável sofre uma parada cardíaca e respiratória, aparentemente sem motivos, durante o sono.

Depois dos seis meses, a chance de isso ocorrer é muito pequena, então, a necessidade de compartilhar uma cama ou mesmo um quarto diminui.

Para a neuropediatra e presidente do Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Liubiana Arantes, a prática oferece riscos ao bebê. 

Isso porque os bebês ficam mais expostos a riscos como sufocamento pelos travesseiros e lençóis, e até mesmo ao contato com o corpo deles em sono profundo. 

Já o antropólogo James McKenna, da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, defende o conceito de breastsleeping. Para ele, a técnica contribui para que as crianças se sintam mais seguras. 

McKenna, aliás, é um dos principais defensores da cama compartilhada. O pesquisador ressalta, porém, a necessidade de tomar precauções para que acidentes sejam evitados. 

Já a psicóloga e autora do livro “Síndrome do Imperador – Entendendo a Mente das Crianças Mandonas e Autoritárias Lilian Zolet alerta que o hábito pode causar dependência emocional. 

A criança pode ficar condicionada a adormecer sempre na companhia de alguém, o que se tornará um problema ao longo dos anos e, em casos extremos, pode gerar uma insegurança generalizada na criança, que se verá incapaz de fazer tarefas simples sozinhas.

Um dos principais benefícios para a mãe diz respeito à praticidade para amamentação e a à redução da necessidade de deslocamento. 

Mães de recém-nascidos frequentemente sofrem de privação do sono. 

Manter a criança pertinho enquanto dormem permite que o bebê esteja ao alcance do seio a qualquer tempo, sem que a mãe precise realmente despertar e levantar da cama.

Como fazer uma cama compartilhada segura?

Para garantir que o bebê fique seguro caso você opte pela cama compartilhada, temos algumas dicas.

A cama deve ser firme, lisa e plana. Os lençóis devem ser bem ajustados.

Não use um sofá ou uma cama muito fofa para compartilhá-la com o bebê.

Lembre-se que a movimentação de um recém-nascido é bem limitada, então, o colchão precisa ser bem firme.

A maneira mais segura é encostar sua cama na parede.

O bebê, então, ficará posicionado entre a mãe e a parede. 

Precisa ser uma cama espaçosa para que não haja risco de o bebê ser pressionado contra a parede ou de ficar preso. 

Atenção: a cama compartilhada não é recomendada para bebês prematuros ou que perderam muito peso ao nascer.

Ao compartilhar a cama com o bebê, evite deixá-lo no meio de vocês. Há um risco de que vocês possam rolar sobre o bebê, afinal, nos mexemos enquanto dormimos.

Inclusive, recomenda-se que apenas a mãe faça cama compartilhada, uma vez que o instinto materno permanece ligado mesmo durante o sono. 

Desculpe, papais!

Entre prós e contras, você saberá o que é melhor para o seu filho

A opção de fazer cama compartilhada é exatamente isso: uma opção.

Há prós e contras, como foi possível ver neste artigo.

Quem decidir manter o bebê em uma cama separada ou em um quarto separado, com uso de bebê conforto, não estará sendo uma mãe ou um pai pior ou negligente. 

Vínculos com os filhos são criados a todo momento, como resultado de qualquer tipo de contato positivo com os pequenos. 

Importante: sempre haverá pitacos alheios na maternidade.

A menos que seja seu pediatra ou seu médico de confiança, você não é obrigado(a) a dar ouvidos, ok?

Gostou do nosso artigo? Se você já faz cama compartilhada, deixe um relato nos comentários!
Aproveite e leia também Rotina de Sonecas do Bebê: 4 Dicas Para Não Esquecer

Quer receber mais conteúdos sobre educação de bebês e crianças?

Cadastre-se para receber os nossos conteúdos por e-mail.

Email registrado com sucesso
Opa! E-mail inválido, verifique se o e-mail está correto.

Fale o que você pensa

O seu endereço de e-mail não será publicado.