desmame do bebê

Desmame do bebê: perguntas e respostas + recomendações

Com um bebê de quase um aninho, Luiza já estava cansada de amamentar.

Às vezes, se sentia culpada por isso, como se estivesse sendo uma péssima mãe.

Mas, para Luiza, o processo era muito cansativo e ela já tinha retornado ao trabalho. 

Buscava apoio com outras mães, mas todas tinham histórias que pareciam perfeitas – algumas ainda amamentavam filhos que já tinham mais de 2 anos

Não se via tendo essa mesma experiência, e queria começar o desmame do bebê assim que possível. 

Assim como Luiza, muitas mães não sabem como iniciar o desmame – mesmo que o motivo não tenha a ver com o próprio cansaço.

O desmame do bebê é algo natural, e nenhuma mãe está cometendo um erro ao iniciá-lo, desde que siga orientações médicas.

Neste artigo, vamos tirar todas as suas dúvidas sobre essa etapa desafiadora.

11 perguntas e respostas sobre o desmame (atenção para o passo a passo da questão 4) 

1. Quando iniciar o desmame do bebê?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o bebê seja amamentado com leite materno até os 2 anos de idade.

Até os seis meses, inclusive, o recomendado é que a alimentação seja feita somente com leite materno, sem nenhum outro tipo de alimento envolvido.

Você já sabe, mas não custa relembrar: veja alguns dos benefícios do leite materno.

A partir dessa idade, é possível introduzir outros alimentos. 

E é a partir daí que é possível iniciar o desmame – sempre com orientação do pediatra, ok?

Esse processo varia muito de mãe para mãe.

A amamentação pode ser desconfortável, e algumas mães vão se sentir aliviadas quando o bebê começar a dar sinais de que está interessado em outros alimentos, ou mesmo perdendo interesse no peito.

Outras mães, porém, amam amamentar, e o desmame pode ser mais doloroso. 

É importante entender que não há pressa nem regras que determinam exatamente como o desmame deve ocorrer. 

Saiba, porém, que o desmame pode começar a partir dos 7 meses, gradualmente, para não traumatizar a criança com uma mudança brusca nem prejudicar o crescimento do bebê.

O desmame é algo natural, que ocorre gradualmente. 

Importante: Não dê ouvidos aos palpiteiros de plantão.

Quem deve tomar essas decisões é a mãe, certo?

A única opinião que deve influenciar é a do médico que acompanha você e seu bebê.

2. Como saber se meu filho está pronto para o desmame?

Para dizermos bem a verdade, o desmame acaba dependendo da criança, da mãe e do estilo de vida de ambos. 

Em alguns casos, o bebê começa a dar sinais de que está pronto para desapegar do leite materno. 

Observe seu filho.

Em alguns casos, o bebê passa a se entreter facilmente com as comidas novas que lhe são apresentadas, tão entretidos que perdem o interesse pelo peito materno. 

Se a mãe tiver de retomar logo a rotina profissional, também estará por perto por menos tempo.

Não há motivo para se culpar por isso, viu? 

Mas essa também é uma das razões pelas quais os bebês começam a voltar a atenção para outros tipos de comida que não o leite materno.

Então, mais uma vez, não há um momento exato. 

As necessidades do bebê e a rotina familiar acabam adaptadas uma à outra. 

E, claro, tudo deve ser feito com orientação médica. 

O pediatra precisa estar ciente, acompanhando todos os passos da vida do bebê.

3. O bebê pode desmamar espontaneamente?

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Um bebê que não usa chupetas e que não passa períodos longe da mãe dificilmente perderá o interesse pelo leite materno. 

Além do fator nutritivo, a amamentação envolve duas pessoas – a mãe e o bebê.

E, sendo assim, precisa estar funcionando bem para ambos. 

Se a mãe sentir que precisa começar a parar, esse é um sinal que deve ser respeitado. 

Por isso, quando o bebê não estiver dando sinais para o desmame, mas essa for uma vontade da mãe, ela precisa ser respeitada.

O desmame não pode ser abrupto, porém.

Isso pode ser especialmente difícil se o seu bebê for viciado em peito. 

Existem crianças que ficam grudadas praticamente do momento em que acordam até irem dormir novamente, e isso pode ser bastante exaustivo para a mãe.

Como falamos, precisa ser feito de modo gradual, envolvendo preparo, para que a criança não se sinta insegura ou rejeitada.

E o corpo da mãe também precisará se adaptar àquela nova realidade. 

4. Existe uma forma gradual e sem traumas de fazer o desmame?

Autora do livro “Desmame gradual: como dar um final feliz à sua história de amamentação“, Bianca Balassiano defende que o desmame seja feito sem pressa, em três fases.

  • Fase 1

Nesta primeira etapa, a família determinará quantas serão as mamadas e em qual momento do dia elas serão oferecidas ao bebê. 

Para evitar desentendimentos, você pode explicar à criança, por meio de materiais lúdicos, como desenhos, que as mamadas vão acontecer em determinados momentos do dia.

A criança rapidamente ficará adaptada àquela rotina e saberá quando esperar o leite materno. 

Isso não quer dizer que o bebê não vai protestar – principalmente aquelas crianças que são mais apegadas ao peito materno. 

Conforte-o e dê toda a atenção necessária neste período.

  • Fase  2

Quando a mãe e o bebê já estiverem bem acostumados com essa nova rotina, é a hora de eliminar as mamadas da noite.

Sim, sabemos que esse pode ser o passo mais desafiador. 

A criança pode estar acostumada a mamar para pegar no sono. 

Bom, aí entra, novamente, o diálogo. 

Explique que, assim como a criança, o “mamá” também vai dormir. 

A criança vai chorar, resmungar, possivelmente acordar durante a noite querendo o peito materno. 

Dê carinho e todo o suporte, mas explique que o peito não está mais disponível. 

  • Fase 3

Bom, agora só sobraram aquelas mamadas do dia, que foram ajustadas naquela rotina da fase 1. 

A ideia é começar a eliminá-las, uma a uma, sem interrupção brusca de um dia para o outro. 

Tente explicar para a criança que, como ela já é uma criança grande, não vai ter mais leite materno, mas que a mãe continua lá, sempre presente, e que não vai fugir.

Isso porque a criança associa o leite materno à presença da mãe, ao vínculo entre ambos.

E a única coisa que vai sumir é o leite, não a mãe nem sua presença.

Ah, e atenção: em todos esses momentos, você pode oferecer uma mamadeira com leite de fórmula, caso o bebê tenha menos de 12 meses de idade.

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Se já for mais velho que isso, pode ser leite de vaca.

5. E quanto ao desmame noturno? Existe alguma orientação específica?

Como citamos há pouco, o desmame noturno pode ser o mais desafiador. 

Deve ser uma das últimas etapas e, assim como o desmame de modo geral, não há uma idade certa para que seja iniciado.

Com uma rotina bem desenhada – com horários para brincadeiras, para as refeições e para a soneca -, a tendência é que o bebê acorde cada vez menos durante a noite. 

E, se o bebê não acorda, por consequência, não terá vontade de mamar durante a noite. 

Se o pequeno já estiver dormindo sozinho – no caso, pegando no sono sozinho -, também precisará cada vez menos da mamada antes de pegar no sono.

Não precisa ficar angustiada se, por acaso, a rotina do desmame ocorrer naturalmente durante o dia, mas for mais desafiante à noite.

Isso é normal – e o desmame noturno não deve ser apressado.

Tenha paciência – pode durar vários meses!

6. Como fazer o bebê dormir depois do desmame?

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O bebê terá de se acostumar a uma nova rotina, sem o aleitamento materno pré-soninho.

Substituir o peito materno pela mamadeira pode funcionar super bem. 

A ideia é manter o vínculo com a criança, mesmo sem o aleitamento. 

É importante que a criança tenha sido bem alimentada durante o dia.

Assim, ela não estará com fome nesse horário, e se quiser ser amamentada, o fará pelo hábito, por relacionar o momento à hora de dormir.

Substitua o leite do peito pela mamadeira e, aos poucos, vá deixando de lado esse padrão de alimentação seguida de sono. 

Você vai precisar, como sempre, de paciência. 

Não espere que, de uma hora para outra, a criança se acostume com isso.

Vai levar algum tempinho e, possivelmente, o bebé ainda vai acordar durante à noite com fome.

Neste momento, não é hora de ignorar. Mas, em vez de oferecer o peito, ofereça a mamadeira. 

7. O que acontece com o bebê depois do desmame?

Durante o desmame, o bebê pode ficar mais irritadiço. 

Pense: o pequeno, que ainda não entende nada direito, está acostumado com uma situação confortável e conhecida.

De repente, é introduzido a novidades – a mamadeira, a papinha, o copinho.

É natural que ocorra uma mini revolta!

O bebê pode ficar manhoso, pedir mais colo e chorar mais.

Além disso, o leite materno possui enzimas que facilitam a digestão.

Sem elas, o bebê pode sentir cólicas e desconfortos e, claro, vai chorar um pouco com isso.

8. Como alimentar o bebê que parou de mamar?

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Mesmo depois do desmame, o bebê deve ingerir cerca de 600 ml de leite por dia

Isso corresponde mais ou menos a três mamadeiras. 

O leite é rico em cálcio, um dos nutrientes responsáveis pelo crescimento ósseo, que ajuda na formação dos dentes e do sistema nervoso. 

Quando o bebê não aceita leite de fórmula ou de vaca, é possível substituir por outros laticínios, como iogurtes e queijos.

Outros alimentos saudáveis também podem ser introduzidos na alimentação do bebê, de acordo com a fase de desenvolvimento.

Mais uma vez, é preciso que isso tudo seja feito de acordo com orientação do pediatra, ok?

Não custa relembrar: a partir dos seis meses, o bebê precisa de nutrientes que são encontrados em outros alimentos. 

É essa a hora das papinhas, que podem ser preparadas com carboidratos, proteínas, verduras e legumes.

Então, não, não se preocupe: o bebê não ficará desnutrido, desde que você siga alimentando-o de maneira saudável. 

9. O que acontece com o corpo da mãe depois do desmame?

Não é só o bebê que precisa se adaptar ao desmame.

Seu corpo, acostumado a produzir leite, também passará por um processo de adaptação.

Conforme o bebê for demandando menos o peito, o organismo entenderá que não há necessidade de produzir tanto, e reduzirá a quantidade de leite. 

Se, por algum motivo, tudo for feito muito rápido, as mamas ainda ficarão cheias de leite por algum tempo. 

É preciso fazer a ordenha manual para aliviar a dor, mas não retire tudo – afinal, você não quer estimular a produção de mais leite. 

Compressas frias nos seios, por cerca de 10 minutos, também ajudam. 

Se o problema não diminuir depois de alguns dias, procure ajuda médica.

É também pela saúde da mãe que o desmame precisa ser gradual.

Se você parar de amamentar de repente, pode sofrer ingurgitamento (inchaço das glândulas mamárias), obstrução dos ductos mamários (acúmulo e espessamento do leite em um segmento mamário, obstruindo a passagem de leite por um ducto) ou mastite (inflamação aguda dos tecidos da mama), além das consequências psicológicas.

10. A mãe pode sentir falta de amamentar?

O desmame varia muito de mãe para mãe.

Algumas mães não veem a hora de se livrar dessa obrigação.

Por outro lado, outras amam amamentar.

Para as mães que adoram esse momento, pode ser especialmente difícil.

É importante frisar que o desmame não atrapalha nem diminui o vínculo com o bebê. 

Até agora, essa era a principal ligação entre mãe e filho. 

A partir do desmame, você precisará criar outras formas de ligação – um banho de banheira, contar historinhas para a criança pegar no sonho, brincadeiras entre vocês.

As maneiras de fortalecer o vínculo são inúmeras, e essa é a hora de descobrir outras maneiras de curtir o seu bebê.

11. Como o parceiro ou parceira pode ajudar nesse processo?

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É importante que a pessoa que divide a vida com você ajude nesse processo. 

O pai pode ajudar muito na amamentação, com a das distrações e das brincadeiras, que acabam fazendo com que o bebê vá perdendo o interesse pelas mamadas.

Especialmente durante o desmame noturno, que é a etapa mais complicada, porque o bebê nem sempre reage bem às negativas.

O parceiro da mãe pode escolher um turno para ficar com a criança, tornando-se responsável pelas necessidades do bebê – alimentação, brincadeiras, troca de fralda e, de preferência, uma soneca.

Será um período de ansiedade para o bebê, então, é legal que tanto a mãe como o pai estejam presentes até que o pequeno se acostume à nova rotina, sem o peito materno.

E aqui uma dica que pode ser super útil: estabeleça que, durante o desmame, quem vai oferecer as refeições à criança é o pai ou outra pessoa responsável.

Isso porque a criança associa o momento de se alimentar à presença da mãe, e essa troca de responsabilidade também ajudará o bebê a assimilar essa nova rotina.

No fim das contas, cada bebê tem o seu processo de desmame

Vale lembrar que as dicas acima são apenas isso: dicas.

O desmame é uma etapa única, que deve ser vivida de acordo com a particularidade de cada família. 

Respeite o seu corpo e as suas vontades, sem dar ouvidos a opiniões alheias. 

Faça o que você acha melhor para você e para o seu bebê, sempre com orientação médica. 

Fique à vontade para compartilhar nos comentários a sua experiência!

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