Depois de quase um ano amamentando, Gabriela se sente cansada.
Além de estar emocionalmente desgastada, sente que a rotina fica muito prejudicada.
Afinal é pura correria: saí correndo do trabalho, volta para casa, amamenta a pequena Manu e retorna ao trabalho.
Embora ainda esteja insegura – afinal, é mãe de primeira viagem –, Gabriela sente que já está pronta para o desmame do bebê.
Felizmente, Manu também parece dar os mesmos sinais: ela até recusa o peito materno de vez em quando e já não reclama mais da mamadeira.
Porém, algo que também preocupa Gabriela é: o que acontece com o corpo depois do desmame?
Por ouvir inúmeros relatos – nada animadores – ela já sofre com o que está por vir e tem medo de não conseguir lidar.
Se, assim como a Gabriela, você também não sabe quais são as reais mudanças que acontecem no corpo após amamentar e quer aprender a lidar com elas, continue com a gente neste artigo.
Explicamos detalhes sobre o assunto e também sobre o desmame.
Acompanhe.
Como é o desmame para as mães?
Muito se fala sobre o desmame para o bebê – as melhores maneiras de provocá-lo, como fazer a substituição por outros alimentos…
Mas e a mamãe? O que acontece no corpo e na mente da mãe durante esse processo?
Em primeiro lugar, tente se blindar dos comentários alheios.
Todo mundo – e principalmente mulheres que já passaram por isso – vão tentar lhe dizer qual é o momento certo para fazer o desmame.
O vínculo entre você e seu filho é único. Não deixe que lhe digam o que fazer, viu?
Muitos bebês começam a dar sinais de que já não querem mamar.
Algumas mães sofrem com a amamentação – o que é normal e não significa que você não é uma boa mãe.
Outras precisam voltar ao trabalho e a nova rotina não comporta a amamentação.
Os motivos são muitos.
Mas além de se preparar para o desmame, também é importante se preparar para as mudanças – mais algumas! – físicas e emocionais que surgem durante e após ele.
Vamos detalhar tudo passo a passo para que você passe por esse período com a maior tranquilidade possível.
3 Principais mudanças no corpo das mulheres após o desmame
1. Diminuição da produção de leite

O corpo da mulher passa por uma série de processos fisiológicos para interromper a lactação.
Muitas mulheres acreditam que vão “recuperar seus corpos” e “se sentir como antes” imediatamente após o desmame:
Como num passe de mágica, acreditam que problemas como a diástase do reto abdominal e questões no assoalho pélvico se resolverão.
Sem contar que ficam convictas de que voltarão ao peso pré-gravidez, que seus cabelos e pele recuperarão o brilho e que a energia e o humor vão melhorar.
Infelizmente, isso não é verdade.
Afinal, a diminuição da produção de leite é gradativa e envolve (mais) mudanças para as mamães.
Vamos lá:
Nos três primeiros meses após o desmame, o volume de leite vai diminuir gradualmente.
A concentração de proteínas, ferro e sódio aumenta entre 100% e 200%.
Em compensação, a lactose diminui.
O leite materno demora cerca de 40 dias para secar completamente depois do último estímulo.
Esteja preparada para enfrentar alguns vazamentos – o ideal é utilizar um sutiã apropriado, com pequenos absorventes, a fim de manter as mamas sempre sequinhas.
Procure fazer o desmame de forma gradual para não “assustar” o organismo.
Você pode enfrentar alguma congestão e entupimento dos dutos mamários.
Se perceber essa mudança, é importante procurar um médico, pois a condição, sem tratamento, pode levar à mastite.
Não há como acelerar esse processo de seca do leite.
Então, tenha calma e procure não se estressar muito com isso.
2. Mudanças nos seios

Ao parar de amamentar, as mamães vão sentir que os seios vão “murchar”.
É bem possível que o tamanho dos seios diminua, voltando ao que era antes da gravidez.
No entanto, o formato provavelmente estará diferente
Com o tempo – seis meses, pra mais –, a parte do seio que é feita de gordura se recompõe, devolvendo a aparência mais cheia e volumosa.
Durante a gravidez e no pós-parto, os seios passam por muitas alterações no tamanho e no formato.
Então, é normal que os tecidos precisem de um tempinho para voltar ao normal.
Além disso, como você gasta muita energia enquanto está amamentando, é comum que algumas mães percam peso.
Ao parar de amamentar, porém, o corpo volta a estocar essa energia, e a mulher pode engordar um pouco.
Assim como o abdômen, que também precisa se espichar e voltar ao que era antes.
Ainda assim, você pode não gostar da aparência dos seus seios depois que parar de amamentar.
Por vezes, eles ficam um pouco flácidos, devido ao efeito sanfona (aumenta-diminui), que prejudica a saúde da pele.
Isso é muito comum – e, felizmente, se você realmente não estiver satisfeita, há alternativas para melhorar a elasticidade da pele.
3. Mudanças hormonais

Ao iniciar o desmame, os hormônios do bem-estar, como a prolactina – que proporciona a sensação de calmaria e de satisfação – e a ocitocina – o hormônio do amor – diminuem.
Essa alteração desencadeia o aumento nos níveis de estrogênio e progesterona – e isso pode resultar em vários sintomas, como ansiedade e irritação.
Um deles – e talvez o mais comum – é a constante alteração de humor, que afeta as mulheres durante toda a gravidez.
Os hormônios estão à flor da pele – e isso bagunça bastante as nossas emoções.
Pode ocorrer um período de tristeza ou até de uma sensação de luto depois do desmame.
O antídoto para esses sentimentos complicados é uma boa dose de fofura.
Brinque e abrace seu bebê sempre que puder.
Deixe a pele do bebê em contato com a sua.
Isso vai aumentar os níveis de ocitocina, o que pode fazer com que você se sinta mais serena.
A importância de um desmame tranquilo para a mãe e para o bebê
Se você já está cogitando o desmame, deve estar sendo orientada por um profissional.
Certamente, a orientação será evitar o desmame abrupto – sabe, de um dia para o outro.
Isso porque, se a criança não estiver pronta, pode gerar um sentimento de rejeição – o que pode acarretar, lá na frente, em insegurança e atitudes rebeldes.
E a mãe também pode sofrer bastante com o desmame repentino.
Depressão e tristeza são alguns dos sentimentos mais comuns, além do luto pela perda da amamentação e de mudanças hormonais.
Há consequências físicas, também, como ingurgitamento mamário (mamas muito cheias e leite com sensação de empedramento), bloqueio do ducto lactífero e mastite (infecção das mamas).
Acelerar o desmame pode causar muita ansiedade na mãe e no bebê.
Então, se você ainda não se sentir pronta e, principalmente, se o bebê não der sinais de que está querendo parar de mamar, é melhor adiar o processo.
Porém, se você realmente precisar que o processo seja mais rápido, às vezes por causa do trabalho ou outras questões que você não pode controlar, faça isso da melhor maneira.
Uma forma de fazer o desmame aos poucos é diminuir o número de mamadas ou estabelecer horários fixos, além de intercalar com a mamadeira com leite de fórmula ou leite materno, mesmo.
Veja também: Como tirar a mamadeira noturna e da madrugada? Guia prático
Afinal, quais são as vantagens do desmame natural?
- Passar por uma transição tranquila, menos estressante para a mãe e para o bebê;
- Preenche as necessidades da criança até elas estarem maduras para o desmame;
- Fortalece o vínculo entre mãe e filho;
- Diminui a ansiedade da mãe com relação aos saltos de desenvolvimento do bebê.
Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo.
A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.
Como fazer um desmame tranquilo?

Autora do livro “Desmame gradual: como dar um final feliz à sua história de amamentação“, Bianca Balassiano defende que o desmame seja feito sem pressa, em três fases.
Primeira etapa
Nesta primeira etapa, a família determinará quantas serão as mamadas e em qual momento do dia elas serão oferecidas ao bebê.
Para evitar desentendimentos, você pode explicar à criança, utilizando materiais lúdicos, como desenhos, que as mamadas vão acontecer em determinados momentos do dia.
A criança rapidamente ficará adaptada àquela rotina e saberá quando esperar o leite materno.
Isso não quer dizer que o bebê não vai protestar – principalmente aquelas crianças mais apegadas ao peito materno.
Conforte-o e dê toda a atenção necessária neste período.
Segunda etapa
Quando a mãe e o bebê já estiverem bem acostumados com essa nova rotina, é a hora de eliminar as mamadas da noite.
Sim, sabemos que esse pode ser o passo mais desafiador.
A criança pode estar acostumada a mamar para pegar no sono.
Bom, aí entra, novamente, o diálogo.
Explique que, assim como a criança, o “mamá” também vai dormir.
A criança vai chorar, resmungar, possivelmente acordar durante a noite querendo o peito materno.
Dê carinho e todo o suporte, mas explique que o peito não está mais disponível.
Terceira etapa
Bom, agora só sobraram aquelas mamadas do dia, que foram ajustadas naquela rotina da primeira etapa.
A ideia é começar a eliminá-las, uma a uma, sem interrupção brusca de um dia para o outro.
Tente explicar para a criança que, como ela já é grande, não vai ter mais leite materno, mas que a mãe continua lá, sempre presente, e que não vai fugir.
Isso porque a criança associa o leite materno à presença da mãe, ao vínculo entre ambos.
E a única coisa que vai sumir é o leite, não a mãe nem sua presença.
Ah, e atenção: em todos esses momentos, você pode oferecer uma mamadeira com leite de fórmula, caso o bebê tenha menos de 12 meses de idade.
Se for mais velho, pode ser leite de vaca, mesmo.
📚 Saiba mais: Desmame do bebê: perguntas e respostas + recomendações
Lidando com os momentos da melhor maneira possível!
Embora a amamentação possa ser desgastante e sofrida para algumas mamães, boa parte das mulheres adora o sentimento de prazer causado pelos hormônios liberados.
A interrupção do desmame é um processo natural, mas deve ser observado com atenção, pois pode causar alguns sentimentos de tristeza.
Por isso, respeite seu tempo e o do seu bebê, para que as mudanças após o desmame – tanto no corpo da mamãe, como na rotina – também sejam sentidas de maneira leve.
Já passou pelo desmame? Deixe seu relato nos comentários de como foi esse processo e também quais mudanças vieram após.
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Eu consegui fazer um desmame tranquilo foi mais rápido do que eu esperava basicamente minha bebê que guiou. Depois de um dia e uma noite sem mamar meus seios encheram muito então dei pra ela mamar e depois de 48h sem foi necessário mais uma vez, mas agora não enche mais. Foi um processo tranquilo porém estou me sentindo um pouco ansiosa e um pouco fria com ela, espero que voltar ao normal logo. Volta e meio me pergunto se fiz a coisa certa e quero me sentir culpada.
Aliás obrigada quem publicou esse material, não achei quase nada que falasse sobre as mudanças na mulher após o desmame.
Estou no processo de desmame e meu bebê só mama uma vez ao dia agora. Realmente estava me sentindo mais triste e não sabia por quê. Meu bico parece estar com sinais de entupimento também. Ninguém fala dos sintomas na mãe do desmame. Muito obrigada pela publicação!
Infelizmente precisei parar abruptamente depois de um antibiótico que precisei tomar. Já vinha pensando sobre o desmame, mas não tinha coragem. Depois de ficar uma semana sem amamentar, resolvi seguir assim, pois meu filho reagiu bem. Não está sendo fácil, me sinto irritada e já pensei várias vezes em voltar a amamentar por apego meu. Por outro lado, me sinto mais disposta e os despertares noturnos reduziram muito. Nós dois primeiros dias precisei fazer ordenhas de alívio, pois o leite começou a empedrar! Depois de uma semana, os seios já murcharam bem,
, realmente não são mais os mesmos, um pouco desanimador ( mas nenhuma novidade. Rs) Meu filho está com 1ano e 1mês.
Com um ano e dois meses meu
filho parou de mamar, ele já vinha apresentando sinais de que queria largar. Por vezes ele recusava o peito então eu oferecia a mamadeira ele tomava 1 ano e três meses ja não mamava mais. foi bem tranquilo o desmame e de forma natural , eu senti falta desse vínculo afetivo acho que só eu senti esse desmame eu sabia que era hora mas senti falta ainda sinto.faz menos de dois meses que ele parou de mamar. Ainda não consegui suprir totalmente essa falta mesmo vivendo muitos momentos fofos com ele. A sensação é como se algo tivesse apartado de mim.
Parabéns pelo artigo, de muita valia para nossas guerreira mães.
Que artigo necessário!! Me fez entender esse processo que está sendo tão difícil para mim. Tá tudo muito bem explicadinho!
Comecei a fazer o desmame, ontem.
Minha filha está com 2 anos e 5 meses. Ela estava muito apegada ao peito, recusando inclusive outros alimentos . Queria mamar o tempo todo e só ficar em meu colo.
Atualmente faço trabalho remoto, mas estou estudando também. O mestrado é bem puxado e conciliar tudo ao mesmo tempo tem me desgastado muito. Não deu certo o desmame amigável, tive que passar tinta vermelha no peito, só assim ela recusou, porque está dodói. Não está fácil pra mim, o peito tá doendo muito. E o coração dilacerado, por ela.
Ela chega perto e dá beijo e fala que vai sarar, que eu preciso ter mais cuidado pra não machucar.
Quero que passe logo essa fase de separação, é difícil 😔.
Meu filho está com dois anos e alguns dias, não apresenta sinais de que quer deixar a mama, por isso tomei a decisão de lhe tirar, de dia e de noite de uma só vez, estou sendo bruta?